Jogos podem ser o nosso principal nutriente
- 3 de mar. de 2016
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Yuval Noah Harari, em "Sapiens", conta o processo evolutivo da humanidade e, sendo assim, claro, não poderia deixar de falar do momento mais fundamental para a evolução de nossa espécie e que, hoje, nos torna dominante perante todas as demais em nosso mundo.
Graças a nossa incrível capacidade de nos comunicar, com diversos signos e formas que combinados são capazes de gerar infinitas informações e propagar qualquer mensagem que possa ser relevante para ambos os interlocutores, não nos prendemos mais a aprendizagem básica de alimentar nossos instintos, mas sim oferecemo-nos oportunidades de ir além.
Com essa vantagem, nossa natureza iniciou a busca incessante por esse "algo a mais" que passou a ser o nosso alimento diário. Sempre desejamos novas notícias, novas sensações, novas experiências. Mas a "vida real" nem sempre é justa e farta, ou seja, ela não é capaz de produzir esse tipo de sustento para os mais de sete bilhões que ocupam nosso planeta.
Basta olharmos pelas ruas e veremos trabalhadores frustrados em suas atividades, estudantes desestimulados e até mesmo casais afastados, todos navegando em celulares, assistindo à televisão ou sonhando acordados através de uma janela.
É nesse exato momento em que essas pessoas estão justamente buscando alimentar suas almas. Algo intangível, amorfo e metafísico. Os jogos, por sua vez, são capazes de oferecer exatamente os nutrientes necessários para revitalizar o espírito de cada um desses indivíduos.
Os jogos são capazes de oferecer recompensas constantes e diretamente proporcionais ao envolvimento do jogador. Todas as suas ações são reconhecidas e os desafios superados estão de acordo com a altura do seu nível de habilidade.
De acordo com o processo da experiência de jogar, além de ter a clara percepção de sua melhoria pessoal, é natural viver ensinamentos inspiradores, seja resgatando uma princesa derrotando um vilão, deixando o companheiro "na cara do gol", ou sendo ajudado por um adversário a se levantar do chão.
Ao participar de atividades semelhante a outras pessoas é nítida a sensação de pertencimento a um grupo e, somando todas as experiências vivenciadas, é possível perceber a satisfação e o corpo livre da angústia, com a mente limpa para novas tarefas e atividades.
É inerente ao ser humano, esperar algo em troca de suas ações.
O maior engano de relacionamentos pessoais e profissionais está na escolha da recompensa. Bônus salariais, viagens e promoções e um jantar num restaurante caro são apenas alimentos pouco nutritivos quando quem está com fome é a alma. Para manter pessoas felizes é necessário oferecer possibilidades de viver novas experiências.
Quando o prêmio é de valor intrínseco o resultado é incomparavelmente maior. Portanto, os momentos mais significantes serão sempre os que garantirem uma recompensa interior real, uma sensação de transformação positiva e uma afirmação de pertencimento a algo que realmente tem valor emocional e espiritual.
Reflexões baseadas no livro "Sapiens" de Yuval Noah Harari e "A Realidade em Jogo" de Jane McGonigal.


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